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Segunda-feira, 18 de março de 2024
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A confusão política que provocou perdas bilionárias nas ações da Petrobras começou antes da divulgação do balanço que anunciou a retenção de dividendos extraordinários, mostram os repórteres Nicola Pamplona e Alexa Salomão.
↳ Quando tudo começou. Os ministros de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e da Casa Civil, Rui Costa procuraram o presidente Lula (PT) para defender a não distribuição de dividendos extraordinários, argumentando que a empresa precisa ter dinheiro em caixa para investir mais.
- Eles se basearam em um parecer interno apontando que a distribuição dos dividendos poderia ter impacto nos indicadores de endividamento na companhia, prejudicando investimentos futuros.
- Outro cenário projetado, porém, considerava distribuir metade dos R$ 43 bilhões de lucro excedente do ano. Essa era a posição da direção da Petrobras e do presidente da estatal, Jean Paul Prates.
↳ O aviso de Prates. No fim do mês passado, o CEO da Petrobras disse à Bloomberg que o investidor poderia esperar "cautela" com dividendos.
- O recado fez na época a estatal perder R$ 30 bilhões em valor de mercado, enquanto os analistas refaziam os cálculos com base em uma distribuição menor dos dividendos extraordinários –mas não a retenção total deles.
↳ A decisão de Lula. Nos bastidores do governo, a escolha do presidente de não distribuição do lucro excedente é analisada de duas formas.
- Ele havia sido induzido a erro com a proposta dos ministros, já que a Lei das Sociedades Anônimas não permite a destinação de dividendos extraordinários para investimentos.
- Houve quem viu na manobra de Costa e Silveira mais uma tentativa de fragilizar Prates à frente da petroleira.
↳ A reação do mercado. Além da surpresa com os dividendos, incomodou a falta de detalhes sobre a decisão e as falas dos integrantes do governo durante a repercussão, como quando Lula reclamou da "choradeira" de investidores.
Em apresentação ao conselho, a área técnica recomendou "explicação detalhada" da decisão, com foco em esclarecer que a retenção elevaria a possibilidade de dividendos em cenários mais desafiadores e poderia ser revista dependendo do cenário ao longo de 2024.
Em nota, a Petrobras afirmou que a decisão sobre os dividendos extraordinários "seguiu a governança prevista".
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As companhias que operam na ponte aérea entre Congonhas (São Paulo) e Santos Dumont (Rio de Janeiro) apresentaram aos dois aeroportos justificativas divergentes para mais de um terço dos cancelamentos de voos no ano passado.
Entenda: toda rota de voo utiliza dois slots, um no aeroporto de partida e outro no de chegada.
↳ Ao cancelar um voo, as companhias são obrigadas a apresentar uma justificativa para cada um dos aeroportos por não utilizarem o espaço reservado a elas.
↳ A Folha identificou que em 35% das viagens canceladas no ano passado na ponte aérea houve divergência nas justificativas apresentadas aos dois aeroportos.
Por que importa: quando o voo é cancelado por algum problema da companhia aérea, o motivo é considerado no cálculo do índice de regularidade cobrado dela no uso de slots –a Anac exige utilização de 80% dos slots.
- Mas quando o motivo é alheio ao da companhia, como em casos de más condições climáticas, ele não é considerado no índice de regularidade.
- Em 13% dos cancelamentos (ou 36% das justificativas divergentes), a incompatibilidade tem impacto direto no cálculo do índice de regularidade.
- Teve voo da ponte aérea cancelado no ano passado? Veja aqui as justificativas dadas pelas aéreas.
O que dizem as aéreas e os reguladores:
A Latam afirmou que voos podem ser afetados como resultado de um "efeito cascata" causado por cancelamentos anteriores em outras rotas.
A Azul disse que as informações "passam por avaliação e validação dos órgãos competentes".
A Gol afirmou que divergências podem ocorrer em razão de interpretações distintas dos operadores dos aeroportos sobre o motivo da não utilização dos slots.
Anac (Agência Nacional de Aviação Civil), Infraero e Aena (atual concessionária de Congonhas) declararam não ter uma rotina de fiscalização das justificativas apresentadas pelas empresas para a não utilização dos espaços reservados a elas nesses aeroportos. Os órgãos atribuíram entre si a responsabilidade, mas nenhum declarou fazer a checagem dos motivos apresentados.
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Startup da Semana: Visio.ai
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O quadro traz às segundas o raio-x de uma startup que anunciou uma captação recentemente.
A startup: fundada em 2021, usa IA (inteligência artificial) para aumentar a produtividade e a rentabilidade das operações de franquias de alimentação.
Em números: a startup anunciou ter recebido um aporte de R$ 12 milhões em uma rodada seed (semente, entenda aqui as etapas de investimento em startups).
Quem investiu: a DGF Investimentos liderou a rodada, que foi acompanhada por Alexia Ventures e Scale-Up Ventures.
Que problema resolve: a startup desenvolveu ferramentas abastecidas com IA que usam imagens de câmeras e dados do estabelecimento para identificar como operações de franquias de alimentos podem ser mais eficientes.
- Um dos serviços oferecidos detecta a montagem de sanduíches em fotos para que o gerente verifique o padrão e direcione o funcionário para um treinamento caso seja necessário.
- Outro sincroniza o cupom de venda ao vídeo do momento em que a transação foi feita, além de usar a IA para identificar qualquer movimentação que saia do padrão estabelecido.
Entre seus clientes, estão franqueados de redes como Subway e Bob’s.
Por que é destaque: com a adoção dessas ferramentas no dia a dia das operações, a Visio.ai afirma ter detectado mais de 12 mil erros e reduzido o custo da mercadoria vendida em até 20%. A startup promete diminuir o tempo de retorno do investimento feito pelo franqueado de 36 meses para 25 meses.
Com a atual febre de investimentos em IA, startups que desenvolvam serviços a partir da ferramenta, como a Visio.AI faz com o varejo, chamam cada vez mais a atenção dos gestores de fundos especializados nesse mercado.
Números do mercado
As startups latino-americanas captaram US$ 120 milhões (quase R$ 600 milhões) em 22 rodadas na primeira quinzena de março. Desse montante, US$ 75 milhões (R$ 374 milhões) foram para empresas brasileiras, em 13 negociações.
O levantamento é da plataforma Sling Hub.
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Ao completar 20 anos neste 2024, o chamado podcasting parece experimentar, sobretudo no Brasil, desafios semelhantes aos das dores do crescimento.
Entenda: movimentos recentes de duas das principais empresas globais do setor, Spotify e YouTube, ajudam a explicar a nova fase do segmento.
↳ O líder global de streaming de música gastou milhões para produzir conteúdo próprio, comprando empresas e criando originais caríssimos de estrelas como os casais Michelle/Barack Obama e Meghan Markle/príncipe Harry e Kim Kardashian.
- Agora, num momento em que empresas de tecnologia apertaram os cintos, a empresa diminuiu investimentos, encerrou contratos com Harry e Meghan e com o casal Obama e fez demissões em massa.
- Mas manteve sua principal estrela, o ex-comentarista de lutas de MMA Joe Rogan, apresentador do podcast que é provavelmente o mais ouvido do mundo e cujo formato inspirou produções daqui, como PodPah e Flow.
↳ A Alphabet (dona de Google e YouTube) anunciou o fim do Google Podcasts, criado em 2018, para abril.
- A empresa e integrantes do mercado dissociam o movimento de uma possível crise no setor, apresentando-o como uma decisão de concentrar no YouTube todo o potencial do formato
O setor no Brasil: a opinião de especialistas e empresários é a de que a onda de todo mundo partir para a produção de podcasts, inclusive de empresas sem muita ligação com o formato, passou. A tendência, portanto, é de consolidação do segmento.
- Veja aqui como especialistas e empresas fazem diagnósticos e previsões sobre o mercado de podcast no país.
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o que mais você precisa saber
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